
O atual cenário de remuneração vive um momento de conflito, pois de um lado encontram-se os profissionais que buscam segurança, um bom salário fixo e a garantia dos seus direitos. No outro extremo, estão as organizações que procuram vincular o que cada um recebe ao desempenho pessoal e aos resultados globais das empresas. Com o objetivo de preparar as empresas e os profissionais que atuam na área de remuneração, o GRUPISA (Grupo de Permuta de Informações Salariais), realiza entre os dias 19 e 20 de abril, a décima edição do CONAREM – Congresso Nacional de Remuneração.
O evento acontecerá no Rio Othon Palace, no Rio de Janeiro e tem como tema central “Gestão da Contrapartida – Estratégia, Sustentabilidade e Renovação”. Na pauta das palestras encontram-se temas como remuneração variável, legislação, benefícios, entre outros. Em entrevista ao RH.com.br, Carlos Monnerat, presidente do GRUPISA, fala sobre os diferenciais que o CONAREM 2006 trará aos congressistas, bem como as tendências na área de remuneração no Brasil e no mundo. Confira!
RH.COM.BR – Esse ano, o tema central do CONAREM “Gestão da Contrapartida – Estratégia, Sustentabilidade e Renovação” parece ser mais técnico do que nos anos anteriores. Existe uma razão especial para isso?
Carlos Monnerat – Na verdade, tentamos dosar a técnica com a percepção dos empregados e dos gestores das organizações em relação aos resultados dos programas de Gestão de Pessoas implantados, dando ênfase ao pacote de compensação praticado pelas empresas.
RH – Ao trazer um tema mais técnico para os congressistas, quais foram os objetivos da coordenação do evento?
Carlos Monnerat – Nosso objetivo foi revelar para os congressistas a aplicabilidade desses programas. O que funciona e o que não funciona. E porque determinadas práticas não funcionam.
RH – Que diferencial o CONAREM 2006 oferecerá em relação às edições anteriores?
Carlos Monnerat – No 10º CONAREM, de acordo com o tema central, selecionamos os temas das palestras e principalmente os palestrantes, considerando três fatores. O primeiro está voltado para os programas e os temas regionais que podem ser aplicáveis em qualquer região e fazer parte de qualquer cenário econômico brasileiro. O segundo fator compreende os programas atemporais, que permanecem atuais, independentemente da época que estão sendo implantados e por fim, os programas auto-evidentes, comprovados por fatos e dados.
RH – Que análise o Sr. faz do atual cenário de remuneração no Brasil?
Carlos Monnerat – Bastante positivo. Em função da abertura dos mercados, com a globalização, da competitividade acirrada e do dinamismo das organizações e do contexto econômico do país, as empresas estão organizando-se e atentas para a importância de programas de remuneração por resultados, por competência, específicos para força de vendas, programas de premiações em médio e longo prazos, bonificações para executivos, programas de reconhecimento e outros, sempre atrelados à missão e à visão dos seus negócios.
RH – As empresas brasileiras estão acompanhando as novas tendências do mercado?
Carlos Monnerat – Sim, estão acompanhando. Independente do porte, de acordo com pesquisas realizadas pelo GRUPISA em 2005, a maioria das empresas instaladas no Brasil preocupam-se em atrair e fidelizar os seus talentos.
RH – E quanto aos trabalhadores brasileiros, eles já começam a perceber as novas tendências de remuneração e as estão aceitando?
Carlos Monnerat – Os trabalhadores brasileiros estão em busca de desafios que permitam o desenvolvimento profissional, que ampliem a sua visão de mundo e esperam receber das empresas um pacote de remuneração justo, em função do que entregam.
RH – Que tipo de remuneração tende a se fortalecer no mercado brasileiro?
Carlos Monnerat – Continua sendo a remuneração por resultados, pois é através dos resultados atingidos pelas empresas que os programas de Gestão de Pessoas podem se autofinanciar.
RH – Atualmente, o que é mais vantagem: trabalhar numa empresa com alto salário ou numa organização que ofereça uma atraente cesta de benefícios?
Carlos Monnerat – As pessoas quando recebem propostas de emprego avaliam os desafios e o quanto poderão se desenvolver, se o pacote de remuneração é competitivo em relação ao mercado e se existe a preocupação com a qualidade de vida das pessoas. Esses são os fatores considerados para se avaliar o melhor lugar para se trabalhar atualmente.
RH – Quais suas expectativas para as tendências de remuneração no Brasil e no mundo?
Carlos Monnerat – Em função das influências globais, o que acontece no mundo influencia todos os países, sobrepondo-se muitas vezes à cultura local. As pesquisas de tendências globais demonstram que antigamente percebia-se uma diferença significativa nas práticas mundiais. Hoje, as diferenças são em função do cenário econômico do país e do segmento de negócio.
Autor: Patrícia Bispo